terça-feira, 21 de julho de 2026

 

VIDA EM FAMÍLIA

Tem pet em casa? Saiba como diminuir o tamanho da mordida no seu orçamento

Cada vez mais integrados aos lares, animais de estimação podem representar um gasto mensal subestimado no universo financeiro do dia a dia. É preciso estar atento, por exemplo, ao fato de que eles estão vivendo por mais tempo. Para evitar sustos, é importante planejar

Não é de hoje que os animais de estimação passaram a ocupar um lugar de destaque nas famílias. E, como verdadeiros membros do lar, garantir sua qualidade de vida e manter a saúde em dia exige planejamento financeiro. Adotar um pet significa assumir despesas contínuas - muitas vezes crescentes ao longo do tempo - por um período que pode variar de sete a 15 anos, dependendo da espécie, da raça, das características do animal e, claro, de sua saúde.

A família Pias é a prova de que um pet pode transformar a rotina financeira de uma casa. Cinco pessoas resolveram rachar as despesas de Aretha, uma sheepdog de 50 quilos. O gasto mensal com a cadela de 11 anos inclui ração específica, plano de saúde, medicamentos para artrose e banhos semanais, entre outros, contabiliza a família.

- Os custos são bem maiores do que eram há alguns anos, porque hoje ela é uma cadela idosa e demanda mais cuidado. Em média, gastamos de R$ 1,4 mil a R$ 2 mil por mês. O nosso principal gasto com ela é a ração, já que ela é alérgica às mais acessíveis - conta Camille Pias.

O exemplo de Aretha mostra o porquê de o mercado pet ser tão aquecido. Segundo a Associação Brasileira das Empresas do Setor de Animais de Estimação, o setor faturou R$ 75,4 bilhões no Brasil em 2024, e os lares já somam, em média, 1,8 animal de estimação por residência, conforme o IBGE.

A professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e educadora financeira Wendy Carrara afirma que alguns gastos devem ser tratados como despesas fixas, já que são previsíveis.

- É essencial ter a categoria "pet" no controle financeiro e, assim, incluir subcategorias como alimentação e plano de saúde - explica a professora.

Alerta para a falsa economia

A educadora financeira também diz que um dos erros mais comuns é acreditar que assinaturas vão tornar o custo mais baixo, pois às vezes elas podem dar uma falsa impressão de economia. O fato de ter uma assinatura com descontos em produtos pode fazer com que o consumidor acabe gastando mais em produtos que não são necessários. Essa é uma falsa economia, conforme a especialista. O grande erro acontece quando contratamos sem fazer comparações; por isso, é fundamental fazer um planejamento.

Outro erro comum é subestimar o custo total de ter um pet.

- Normalmente acham que é só comprar ração; esquecem que haverá vacina, vermífugo, consultas médicas, produtos... - diz a professora. Cabe ressaltar que só a organização financeira não garante uma economia real de custos. A prevenção também é uma forma de redução de gastos futuros, como afirma a médica veterinária Claudia Krefta.

- Quando acompanhamos o animal regularmente, conseguimos descobrir problemas que podem ser tratados em casa, sem necessidade de internação, o que normalmente sai muito mais caro - explica Claudia.

Ela reforça que o tutor que ignora as consultas de rotina corre o risco de precisar de atendimento de urgência - e os plantões acabam saindo até o dobro do preço, conforme a urgência.

Atenção aos check-ups

A recomendação é que cães e gatos, a partir dos sete anos, façam exames de sangue e cardiológicos a cada seis meses ou, no mínimo, uma vez por ano: - O tutor precisa lembrar que o pet vai envelhecer e que isso vai exigir exames e cuidados específicos. E mais custos também.

Outro ponto importante é conhecer a raça do animal. Algumas são predispostas a doenças específicas - boxers, por exemplo, têm maior incidência de problemas cardíacos, e golden retrievers, por exemplo, de linfomas - e o tutor deve perguntar sobre esse histórico ao veterinário. Já os vira-latas, apesar de geralmente mais resistentes, podem surpreender negativamente.

- Cada um é uma caixinha de surpresas - brinca a veterinária.

Em resumo, ter um pet exige não apenas amor, mas responsabilidade financeira. Pelo bem- estar dele e do nosso bolso. 

Produção: Caroline Goulart, estudante de jornalismo, sob orientação e supervisão de Caue Fonseca

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