terça-feira, 9 de novembro de 2021


09 DE NOVEMBRO DE 2021
INFORME ESPECIAL

O porquê da Feira do Livro

Cada vez mais, o púbico não vai à Feira do Livro de Porto Alegre para comprar best-sellers e lançamentos, mas para ver de perto os autores. E isso é bom. A proximidade tão concreta com o público dá um colorido especial ao contexto da literatura. Se comprar um livro pela internet é cada vez mais fácil, estar ao lado de Fabrício Carpinejar, Peninha, Martha Medeiros e de tantos outros, muitas vezes ao mesmo tempo, é um privilégio que só acontece uma vez por ano, na Praça da Alfândega.

Ao escrever esse texto, me lembrei de Moacyr Scliar. Numa época em que os escritores eram bem mais reclusos, até porque não havia redes sociais, ele adorava ir onde os leitores - e os ainda não leitores - estavam. Feiras do livro, escolas, eventos em vários cantos do Estado e do Brasil. Lá estava o Scliar, feliz, falando e ouvindo. É por isso que a Praça da Alfândega sobrevive e se revigora. Há coisas que só acontecem lá, como o encontro dos que estão aqui e dos que já foram. Uma história com final feliz, mas que nunca termina.

Paternidade

O nascimento da Maya mudou o meu jeito de ver o mundo. E de ouvir também. Nunca tinha me dado conta: abrir uma embalagem é, muitas vezes, uma ameaça. Outro dia, enquanto ela dormia, tentei comer granola. A impressão era de que o ruído produzido pelo manuseio do plástico, no contraste com o silêncio do apartamento, era o de um terremoto. Imagina se ela acorda? Desisti.

Aí está uma boa oportunidade para as marcas que buscam aderência de famílias com recém-nascidos. Investir em engenharia de produto e em marketing, escrevendo em letras grandes na embalagem: a única com tecnologia NRFHB, noise reduction for homes with babies, ou redução de ruídos para casas com bebês. Tem que ser em inglês para parecer chique e importante. Eu compraria.

TULIO MILMAN

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