quarta-feira, 1 de abril de 2026

Páscoa frustra vendas nos supermercados e tem ovo como vilão

Supermercados buscaram opções mais baratas para atrair consumidores na Páscoa

Supermercados buscaram opções mais baratas para atrair consumidores na Páscoa

FABIOLA CORREA/JC
Patrícia Comunello
Patrícia ComunelloPáscoa virou assunto quase proibido no varejo em 2026, principalmente entre supermercadistas. O motivo é simples. Nada a ver com exageros no consumo de chocolate e impactos em eventual dieta. Junte endividamento das famílias e renda menor afetada pela inflação e concorrência das bets (apostas online) para traduzir o ânimo do setor a poucos dias da data promocional, a primeira do ano, comemorada no domingo (5).
Para os supermercados, principalmente os de vizinhança, a data ligada a ovos e coelhinhos costumava ser a segunda em comercialização em categoria, perdendo para o Natal e fim de ano. "Sem crescimento. Reflexo do endividamento e perda de renda da população", reforçou o presidente da Associação Gaúcha de Supermercados (Agas), Lindonor Peruzzo Junior.
"A Páscoa de 2026 deve apresentar um desempenho mais moderado no comércio gaúcho em relação à data do ano anterior", avalia a Fecomércio-RS, em nota, indicando que renda e emprego são positivos, o que daria condição de vendas melhores. "As famílias buscarão opções de presentes que caibam no orçamento. Preços mais elevados, com consumidores cautelosos e atentos", traduz o presidente da entidade, Luiz Carlos Bohn, na nota sobre a data.  
Os supermercadistas têm saudades da fartura do passado. O setor chegou a vender 7 milhões de ovos em anos "doces" da data, segundo fonte que acompanha o setor. Em 2026, não há um dado de quantos ovos poderão ser vendidos, mas o artigo clássico da temporada vem perdendo espaço para barras de chocolate e bombons. "Não aconteceu nada ainda", resume o presidente da rede Unisuper, Sandro Formenton, sobre a demanda. "Colocamos os produtos na gôndola 30 dias antes. Até agora os clientes não mexeram em 10% dos itens", descreve Formenton. 
Cássia diz que coelhinho é um dos mais procurados e espera fluxo até o fim de semana | PATRÍCIA COMUNELLO/ESPECIAL/JC
Cássia diz que coelhinho é um dos mais procurados e espera fluxo até o fim de semanaPATRÍCIA COMUNELLO/ESPECIAL/JC
A coluna Minuto Varejo buscou várias redes, mas a maioria não se manifestou ou preferiu não falar ante o período em baixa. Aliás, a Páscoa completa um primeiro trimestre do ano com movimento e vendas que devem fechar com redução, já projetou Peruzzo Junior. Algumas redes, como a Comercial Zaffari, dona do atacarejo Stok Center, esperam vender o mesmo que em 2025.
Na loja recém aberta na Capital, chamou a atenção a "micro" parreira de ovos. O motivo: valor do item. A bandeira foca no que está saindo mais: cestas prontas entre R$ 44,00 e R$ 71,00. "Mais custo benefício", associa. Nos últimos cinco dias, foram vendidos 40% do volume para a data. A rede espera vender até sábado todo o estoque comprado. 
No Aeroporto Internacional Salgado Filho, na Capital, com fluxo de turistas chegando para a Serra e outros embarcando para outros destinos, a subgerente da loja da Prawer, marca de chocolate artesanal, Cássia Ramos, diz que o movimento ganhou mais impulso na virada da quinzena. "Mas a gente espera mais fluxo na sexta-feira e no sábado", projeta Cássia. Coelhinhos pequenos (150 gramas) e bombons lideram a venda no varejo no segundo piso, no acesso à escada rolante para os portões de embarque.  

Preços mais altos afugentam clientes

Kopenhagen montou kit de bonequinhas famosas com ovo para atrair vendas  | PATRÍCIA COMUNELLO/ESPECIAL/JC
Kopenhagen montou kit de bonequinhas famosas com ovo para atrair vendasPATRÍCIA COMUNELLO/ESPECIAL/JC
Comércio é um jogo bem transparente. Preço sobe, demanda desce ou migra para itens mais em conta. A Fecomércio-RS aponta que chocolates em barra e bombons acumulam alta de 24,1% desde a Páscoa de 2025. A rede Unisuper recebeu esses itens com aumento de 15% a 18%. "A barra subiu de preço e o tamanho é cada vez menor", cita Formenton. "A Páscoa sempre melhorava 8% a 10% no faturamento do mês. Até agora nada, só se acontecer no fim de semana", acalenta o supermercadista.
Pesquisa do Sindilojas Porto Alegre também reforçou os valores mais "salgados", associada a problemas de abastecimento de cacau. "Na Capital, os preços de chocolates em barra e bombons subiram mais de 36% nos últimos 12 meses", indica a entidade lojista. O sindicato mostrou que as ofertas podem ter diferença de mais de 100% em alguns itens com mesmo peso. "A cesta de Páscoa vai de R$ 144,30 a R$ 392,68", adverte o SindilojasPOA. 
Levantamento da CDL Porto Alegre indicou que 61,1% das pessoas pretendem presentear com barras, caixas de bombons e ovos desconstruídos (com base de chocolate e recheio). Outro dado revelador: quase 40% dos ouvidos vai gastar entre R$ 101,00 e R$ 200,00. Brinquedos devem ser mais buscados para presentear crianças. A gigante Kopenhagen, hoje Nestlé, montou kits com ovo de 120 gramas e opções das bonequinhas Fofolete e Moranguinho. Na loja física, estava a quase R$ 200,00 a unidade. No site, o valor é mais em conta.   

Remédios poderão ter reajuste a partir de hoje, com menor índice em 20 anos

Aumento médio de até 2,47% fica abaixo da inflação e deve ter impacto limitado no bolso

Aumento médio de até 2,47% fica abaixo da inflação e deve ter impacto limitado no bolso

FABIOLA CORREA/JC
Gabriel Margonar
Gabriel MargonarA partir desta quarta-feira (1º), os preços dos medicamentos em todo o Brasil poderão ser reajustados, conforme autorização da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos. O aumento médio permitido será de até 2,47% - o menor em duas décadas e abaixo da inflação acumulada dos últimos 12 meses, de 3,81%.
Na prática, o reajuste funciona como um teto. Ou seja, fabricantes e farmácias podem aplicar aumentos menores - ou até manter os preços - dependendo da concorrência e da estratégia comercial. A resolução publicada no Diário Oficial desta terça-feira (31) estabelece três faixas de ajuste:
  • até 3,81% para medicamentos com maior concorrência;
  • 2,47% para os de concorrência intermediária;
  • e 1,13% para produtos com pouca ou nenhuma concorrência.
Segundo o Ministério da Saúde, a regulação econômica dos medicamentos "garante a proteção do consumidor e, ao mesmo tempo, busca a sustentabilidade do setor para a continuidade do fornecimento de medicamentos no País". O reajuste ocorre uma vez por ano, sempre no dia 1º de abril, e segue a metodologia estabelecida pela Lei 10.742/2003, que instituiu o modelo de regulação de preços do setor farmacêutico no Brasil.
Mas, apesar de o índice ser nacional, o consumidor pode perceber diferenças de preço entre estabelecimentos dentro de uma mesma cidade. Isso porque as farmácias têm total liberdade para conceder descontos sobre o valor máximo permitido.
Para o economista e professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (Pucrs), Gustavo Inácio de Moraes, o percentual já era esperado e reflete, principalmente, o comportamento do câmbio ao longo do último ano. 
“Grande parte dos medicamentos consumidos no Brasil é importada, então o dólar tem um peso importante no custo. Como houve uma desaceleração cambial, isso contribuiu para um reajuste menor”, explica.
Segundo ele, o impacto no orçamento das famílias tende a ser limitado na média, mas deve pesar mais para quem depende de uso contínuo. “Em média, os medicamentos representam cerca de 3,5% do orçamento das famílias. Mas, para idosos, esse percentual pode chegar a até um quinto da renda. Então, para esta faixa etária, especialmente, qualquer mudança acaba sendo importante”, afirma.
Ainda assim, o economista avalia que o reajuste mais baixo ajuda a conter pressões inflacionárias. “Como ficou abaixo da inflação, o efeito sobre o índice geral de preços deve ser pequeno - e até contribuir para segurar o IPCA”, acrescenta.
Já do lado do varejo, o cenário é visto com cautela. O executivo do Sindicato do Comércio Varejista de Produtos Farmacêuticos do Estado do Rio Grande do Sul, Guilherme Leipnitz, reconhece que o percentual é positivo para o consumidor, mas ressalta desafios para as farmácias.
“É o menor reajuste dos últimos 20 anos, o que ajuda quem precisa comprar medicamentos com frequência. Por outro lado, o setor convive com custos que seguem pressionados, inclusive pela dependência de insumos importados”, afirma.
Ele destaca que, embora o aumento passe a valer oficialmente em abril, a aplicação não é uniforme nem imediata. “Algumas farmácias podem demorar mais para ajustar os preços, especialmente se ainda têm estoque adquirido com valores antigos. Outras aplicam mais rapidamente. Isso varia conforme a estratégia de cada empresa”, explica.
Em nota, a rede Panvel (única empresa que respondeu à reportagem até o fechamento desta edição) informou que seguirá os índices definidos pela CMED, mas que deve adotar medidas para suavizar o impacto ao consumidor. A empresa afirma manter negociações com laboratórios para garantir preços mais competitivos e condições especiais de pagamento, além de descontos e benefícios em canais como lojas físicas, aplicativo e site.
A rede também destaca que programas de relacionamento, como o cadastro de CPF, tendem a ser uma das principais ferramentas para reduzir o impacto do reajuste no curto prazo.
Leipnitz reforça que o consumidor pode - e deve - pesquisar. “A farmácia não pode vender acima do teto, mas pode oferecer descontos. Por isso, há variações de preço entre estabelecimentos, especialmente em medicamentos com maior concorrência”, diz.
Ainda, entre as alternativas para reduzir o impacto no bolso, especialistas apontam a busca por genéricos, que podem ser, em média, até 40% mais baratos, e o uso de programas de fidelidade oferecidos pelas redes. Isso porque, mesmo com o reajuste mais baixo, a recomendação é de atenção: para quem depende de medicamentos de uso contínuo, pequenas variações de preço, ao longo dos meses, podem se transformar em um custo relevante no orçamento doméstico anual.

Reforma tributária e infraestrutura são desafios para municípios da região, aponta prefeito de Veranópolis

Cristiano Dal Pai apontou os principais desafios do município

Cristiano Dal Pai apontou os principais desafios do município

Tânia Meinerz/JC
Bruna Suptitz
Bruna SuptitzDe Veranópilis
Pessoas que fazem a nossa região crescer. Assim o prefeito de Veranópolis, Cristiano Valduga Dal Pai, definiu o público presente no evento Mapa Econômico do Rio Grande do Sul realizado na noite desta terça-feira (31), na cidade da Serra. “O PIB da região está aqui representado hoje. Isso é muito importante para o desenvolvimento, porque uma cidade não cresce sozinha”, ponderou.

Desafiados pela condição das rodovias que dão acesso à região, que precisam de requalificação, os municípios da região manifestam receio com os impactos que virão com a Reforma Tributária. “Um município como Veranópolis, que 65% (da arrecadação do município) é indústria e 11% é agricultura, tem que pensar fora da caixa, tem que pensar em algo diferente”, disse Dal Pai. A cidade apostará, conforme ele, em cultura e turismo, sem deixar atender o setor produtivo.

Dal Pai encerrou a sua fala agradecendo ao Jornal de Comércio “por essa só oportunidade que acontece em Veranópolis e região; tenho certeza que nós saímos daqui hoje melhor do que chegamos”. E encerrou destacando o que é marca registrada da cidade: “vocês estão na terra da longevidade: aqui se vive bem, se vive mais e se vive melhor!”.