28 de Setembro de 2026
OPINIÃO RBS
Em constante alerta pelo El Niño
Os temporais do início da semana passada voltaram a lembrar os gaúchos dos riscos dos eventos climáticos extremos, potencializados pelo El Niño intenso em desenvolvimento. Tornaram a demonstrar também a necessidade de atenção constante e de preparação do Estado e dos municípios para enfrentar as chuvas intensas e suas consequências. Mesmo com todos os alertas, o Rio Grande do Sul voltou a registrar mortes, estragos em mais de 150 municípios e demora no restabelecimento da energia. O retorno do mau tempo neste início de semana, com nova previsão de precipitações volumosas, reacende a preocupação.
O Estado não precisa reviver uma enchente com dimensões semelhantes às de maio de 2024 para compreender que prevenção, mitigação de danos e adaptação, do poder público, das empresas e dos cidadãos, são palavras de ordem que passam a acompanhar os gaúchos nas próximas décadas diante dos prognósticos climáticos alarmantes. Chuvas copiosas, granizo, enxurradas repentinas, tornados e deslocamentos de massa também podem atingir municípios ou regiões de forma localizada, com resultados dramáticos.
Um exemplo foi o que ocorreu em Caxias do Sul, onde morreram quatro das seis pessoas vitimadas pelas tempestades de uma semana atrás. Um menino de quatro anos, a irmã de 13, e a mãe, de 43, estavam em um carro arrastado pela torrente do Rio São Marcos. No bairro De Zorzi, um homem foi sugado para uma galeria pluvial quando desobstruía um bueiro. Em Pelotas e Charqueadas, outros dois homens não resistiram ao contato com fios energizados caídos devido aos temporais. É outro tipo de perigo ligado ao clima extremo.
Em São Marcos, na Serra, o risco de rompimento de uma barragem fez cerca de 170 moradores da área serem retirados de suas casas. O número de pontos sem luz no Estado superou 900 mil. Na Zona Sul, neste fim de semana restavam milhares de clientes sem energia desde segunda-feira, sofrendo prejuízos e transtornos. Reclamavam ainda da dificuldade de comunicação com a CEEE Equatorial, concessionária da região. A situação demonstra que os eventos climáticos extremos, apesar de toda a preparação anunciada, seguem um desafio para as distribuidoras de energia. Revoltados, moradores bloquearam o trânsito na BR-392, entre Rio Grande e Pelotas.
O Estado evoluiu em sistemas de alerta, monitoramento e prevenção. Obras estão em andamento ou em fase de planejamento. O mesmo ocorreu com as cidades. As Defesas Civis foram fortalecidas de forma material e com recursos humanos capacitados. Os 497 municípios têm planos de contingência. O Rio Grande do Sul, nos próximos meses, vai ser submetido frequentemente a testes quanto à capacidade de resposta.
O El Niño de 2026/2027 tende a ter uma intensidade histórica. O pico do fenômeno é esperado para o final do ano, com decorrências trágicas pelas secas, enchentes e altas temperaturas que provoca em diferentes regiões do planeta. Na semana passada, a Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou para o surto de doenças como a cólera e de enfermidades transmitidas por mosquitos. Um estudo do Climate Impact Lab, da Universidade de Chicago, projeta que, até fevereiro, o excesso de calor pode provocar mais de 400 mil mortes. É tempo de manter a guarda alta.

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