Nem Nossa Senhora Aparecida escapa da baixaria
A campanha para eleição presidencial se encaminha para o final deixando para trás um rastro de descrença na civilização. A troca de acusações substituiu a discussão de propostas e os candidatos se esmeram para ver quem faz a proposta mais improvável de ser cumprida. O assunto dominante nas redes sociais no fim de semana foi a disputa que não respeitou nem mesmo Nossa Senhora Aparecida, a padroeira do Brasil.
Como tudo neste país em que a política foi judicializada, a fake news sobre a possibilidade de Nossa Senhora Aparecida ser destituída do cargo ganhou pernas e foi parar no Supremo Tribunal Federal. E, como tudo o que cai no Supremo hoje vira disputa política, a história se repetiu.
O ministro André Mendonça mandou as plataformas tirarem do ar os conteúdos que trataram da falsa polêmica. Foram milhares de publicações, a maioria podendo ser caracterizada como fake news, outras com insinuações capazes de dar crédito a uma história distorcida por má-fé. O ministro Flávio Dino entrou em campo e revogou a decisão de Mendonça.
Na origem, um projeto arquivado em 2008
André Mendonça decidiu em favor do candidato Flávio Bolsonaro (PL), diante da fake news de que os católicos estariam preocupados com a possibilidade de Nossa Senhora Aparecida deixar de ser a padroeira do Brasil, em caso de vitória dele. Entre os vídeos que o ministro mandou remover estava um do humorista Antonio Tabet.
Na origem do boato está um projeto apresentado em 2007 pelo então deputado federal Professor Victorio Galli, à época no PMDB. O texto do PL 2.623/2007 sugeria alterar a Lei nº 6.802/1980 para mudar o termo "Padroeira do Brasil" para "Padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos". O projeto foi arquivado em 2008.
Dino mandou restabelecer as postagens alegando que a remoção prévia feria a liberdade de expressão e a liberdade religiosa, pois não havia um grau evidente e imediato de ilicitude no texto capaz de justificar a censura sem a devida instrução processual. _
Ainda que tardia e associada à campanha eleitoral, a decisão do presidente Lula de acabar com as bets tem potencial para garantir votos entre indecisos que não toleram a jogatina ou sofrem ao ver parentes viciados em apostas.
Candidatos concentram campanha na Capital e na Região Metropolitana
Com a necessidade de gravar os últimos programas da propaganda de rádio e TV do primeiro turno, os quatro principais candidatos a governador optaram por fazer campanha em Porto Alegre e Região Metropolitana no domingo.
A exceção foi Gabriel Souza (MDB). No sábado, passou mais de seis horas em carreatas pelo Litoral Norte. Ontem, com chuva, circulou pela Zona Norte e pela Grande Cruzeiro, acompanhado do prefeito Sebastião Melo e da primeira-dama Valéria Leopoldino.
Juliana Brizola (PDT) fez apenas gravações no domingo. No sábado, participou de um ato batizado de "Bora Lula", organizado pelo candidato do PT ao Senado, Paulo Pimenta, nas ruas da Cidade Baixa. Juliana estava acompanhada do filho José Inácio, de 16 anos.
Luciano Zucco (PL) realizou na manhã de domingo as últimas gravações dos programas eleitorais de TV. Na sequência, participou de uma mobilização no Parque Moinhos de Vento (Parcão), entregando material de campanha. Depois, foi a Viamão. No sábado, esteve em Novo Hamburgo.
O tucano Marcelo Maranata teve apenas uma atividade externa de campanha no fim de semana. Foi uma carreata em Gravataí ao lado da candidata a deputada federal Márcia Becker (PSDB), no sábado. _
Flávio confirma que vai ao debate
Depois de se recusar a participar dos debates que não teriam a presença do presidente Lula, o candidato do PL, Flávio Bolsonaro, anunciou que irá ao da Rede Globo, nesta quinta-feira. Com Lula ou sem Lula.
Lula terá de decidir entre ir e ser o alvo de todos os adversários ou não ir e ser chamado de fujão.
Dois dias sem banners nas ruas
Por ordem do juiz Daniel Henrique Dummer, da 114ª Zona Eleitoral, todos os candidatos e candidatas devem retirar a propaganda eleitoral instalada em vias públicas das 18h de ontem até as 18h de amanhã.
A decisão foi tomada em caráter excepcional e temporário, diante do Alerta Meteorológico nº 21, da Defesa Civil, de risco alto de chuvas intensas, com acumulados da ordem de 165 mm, e rajadas de vento de até 70 km/h.
O magistrado expressou preocupação com a segurança dos pedestres que circulam nas ruas de Porto Alegre.

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