Aportes em energia no Brasil podem chegar a R$ 3,5 tri em dez anos
Jefferson KleinRepórterOs investimentos em energia no Brasil, nos próximos dez anos, deverão somar aproximadamente R$ 3,5 trilhões. A maior parte desse montante, em torno de 80%, será focada no segmento de petróleo e gás natural, 17% em energia elétrica e 3% em biocombustíveis líquidos. A projeção consta no Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE) 2035.
As consultas públicas do PDE 2035 e do Plano Nacional de Energia (PNE) 2055 foram lançadas nesta quinta-feira (12), pelo Ministério de Minas e Energia. “O planejamento energético é um ativo estratégico para o País”, enfatiza o secretário-executivo da pasta, Gustavo Cerqueira Ataíde.
Entre os apontamentos feitos pelo PDE, Ataíde cita a perspectiva do incremento de cerca de 20% no consumo final de energia, saltando de 301 (10⁶ Tep - Tonelada Equivalente de Petróleo) para 360 (10⁶ Tep). Esse consumo abrange os diversos tipos de energia, como eletricidade, derivados de petróleo, etanol, gás natural, carvão, entre outros.
Em capacidade de energia elétrica, o Brasil saltará de uma potência de 249 mil MW, registrada em dezembro de 2025, para 359 mil MW, em dezembro de 2035. A hidreletricidade continuará tendo uma contribuição importante na matriz elétrica, mas verá seu percentual de participação reduzir de 44% para 32%. As fontes solar e eólica, assim como a geração distribuída (em que o consumidor produz sua própria energia, normalmente por painéis fotovoltaicos), também terão destaque, fazendo a geração de energia elétrica ser predominantemente feita de fontes renováveis no País.
Projetando um período mais longo, de 30 anos, o PNE 2055 indica que a demanda de energia permanecerá crescendo e pode até duplicar no Brasil. O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Thiago Prado, ressalta que as duas ferramentas, o PNE 2055 e o PDE 2035, são complementares e servem para dar subsídios ao planejamento do setor de energia e para a realização de políticas públicas.“O futuro não é um lugar que a gente vai, é um lugar que a gente constrói”, afirma o dirigente.
Prado frisa que os instrumentos são estratégicos e os compara a faróis, que apontam a direção a ser seguida. O representante da EPE alerta que, sem planos, a energia se torna mais cara e menos confiável. As consultas públicas do Relatório do PDE 2035 e do Relatório Síntese do PNE 2055 ficarão abertas por 30 dias a partir da publicação e poderão ser acessadas pelos portais do Ministério de Minas e Energia e do Participa + Brasil, permitindo contribuições da sociedade, do setor produtivo e de especialistas.


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